Pular para o conteúdo principal

#505 ART–ficial (Capítulo 1, Parte 4)

Imagem

Legenda

ART–ficial [uma saga enológica em quadrinhos]

Transcrição

Conclusão do Capítulo 1 da saga.

  • 1: Cena em um quarto de hospital com iluminação escura e esverdeada. Um médico de jaleco branco está de pé ao lado da cama onde Mec está deitado sob os lençóis.

    • Médico: "MEC, VOU TE DAR ALTA."
    • Médico: "VOCÊ ACABOU COM O ESTOQUE DE GLICOSE DO NOSSO ALMOXARIFADO, E EU PRECISO PASSAR ESSE LEITO PRUM IDIOTA QUE ARRANCOU O DEDO ABRINDO UM PÉT-NAT REFERMENTADO."
    • Mec: "MAS DOUTOR, EU AINDA VEJO TUDO EM CORES BRILHANTES..."
  • 2: Close-up do rosto do médico com pele verde texturizada e fundo psicodélico.

    • Mec (fora de quadro): "POR SINAL, SUA PELE ESTÁ RADIANTE HOJE."
    • Médico: "OBRIGADO PELO ELOGIO. MAS VÁ XAVECAR ALGUÉM LÁ DO AMBULATÓRIO."
  • 3: Plano aberto do quarto de hospital. O médico está de pé diante de Mec, ordenando sua saída.

    • Médico: "QUERO VOCÊ FORA DO MEU PS EM VINTE MINUTOS."
  • 4: Silhuetas de Tina e Mec de costas, olhando através de uma janela com persianas iluminadas por luz esverdeada.

    • Tina: "NÃO CONFIO EM NENHUMA PALAVRA DESSE DOUTOR LOOSEN. PARECE UM YUPPIE VINHATEIRO CALIFORNIANO."
    • Mec: "VAMBORA, TINA. AINDA TEMOS QUE ENTERRAR O FILHO DA PUTA DO TONI."
  • 5: Paisagem urbana impressionista com prédios altos e céu nublado. (Sem textos ou falas).

  • 6: Cena no cemitério. Tina (cabelos escuros) e Mec (cabelos grisalhos e terno azul) estão de costas observando.

    • Tina: "VEJA SÓ O OLI, MARIDO DO TONI ... NÃO CONSEGUE DISFARÇAR O ALÍVIO!"
    • Mec: "SERÁ QUE OS BOTECOS ONDE ELE DEIXOU FIADO VÃO ATRÁS DE ALGUMA COISA?"
  • 7: Close-up estilo retrô de Tina e Mec conversando.

    • Tina: "SÓ SE FOR PRA ARRANCAR O FOIS DO FÍGADO DO DEFUNTO."
    • Mec: "HÁ! NISSO O LEGISTA CHEGOU PRIMEIRO. DEVE ESTAR HARMONIZANDO FOIS DE TONI COM YQUEM FALSIFICADO."
  • 8: Cena noturna no cemitério. Mec (no grupo à esquerda) fala com Oli, que está de frente para eles.

    • Mec: "OLI, SENTIMOS MUITO PELA SUA PERDA."
    • Mec: "O TONI ERA UM SUJEITO ... MUITO ... COMPLEXO ... ERR ... INTENSO ... E SEDOSO?"
    • Oli: "OBRIGADO MEC. NÃO PRECISA ENFEITAR BOSTA. TONI ERA UM FANFARRÃO..."
    • Oli: "ALIÁS, ELE TE DEIXOU ESSE ENVELOPE."
  • 9: Silhueta de Mec de costas, lendo mentalmente a carta projetada na parede amarela à sua frente.

    • Pensamento (Carta de Toni): "QUERIDO MEC, FINALMENTE MORRI A CURA PARA SUAS DORES ESTÁ EM COPENHAGEN. MANFREDS. STROHMEIER. BEIJOS DE LUZ, TØNI PS: NOMA = OVERRATED"
  • 10: Silhuetas de dois gatos observando uma bandeira da Dinamarca.

    • Título: "ART-ficial capítulo I"
    • Gato da esquerda: "SERÁ QUE AGORA NOSSA HISTÓRIA VAI SE PASSAR COPENHAGEN?"
    • Gato da direita: "NO LEBLON QUE NÃO VAI SER. NÃO TEM STROHMEIER NO LEBLON..."

Explicação

O capítulo encerra o arco de introdução e prepara o terreno para a viagem internacional.

  1. Dr. Loosen e Pét-Nat: A piada com o médico chamando-se "Dr. Loosen" refere-se ao famoso produtor alemão de Riesling, Ernst Loosen. O paciente que "arrancou o dedo" satiriza os perigos dos Pét-Nats (espumantes naturais), que muitas vezes são instáveis e podem explodir ou ter pressão excessiva.
  2. Harmonização Fois & Yquem: A dupla discute o fígado do falecido Toni (provavelmente destruído pelo álcool) comparando-o a Foie Gras, e sugerem harmonizá-lo com Château d'Yquem (o vinho de sobremesa mais famoso do mundo), uma combinação clássica da gastronomia francesa, aqui usada de forma mórbida.
  3. A Carta e Copenhagen: A carta revela o destino da próxima aventura: Copenhagen.
    • Manfreds: Restaurante icônico da cidade (já fechado na vida real, mas lendário), famoso por sua carta de vinhos naturais.
    • Strohmeier: A "cura" que Mec busca é o vinho deste produtor austríaco.
    • Noma = Overrated: Toni deixa uma última alfinetada no Noma, eleito várias vezes o melhor restaurante do mundo, chamando-o de superestimado.
  4. Leblon: A piada final contrasta a cena hypada e alternativa de Copenhagen com o bairro do Leblon (Rio de Janeiro), sugerindo que este último é conservador demais ou "careta" para ter vinhos radicais como os de Strohmeier.

Originalmente publicado