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#59 Cariñena (Carignan)

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Cariñena (Carignan)

Legenda

Depois disso, servi Carignan para muitos convidados queridos, e hoje bebo um maravilhoso Cariñena em homenagem à memória (e ao vinho industrial).

Transcrição

O primeiro vinho que tenho a nítida lembrança de gostar foi um Marquesa-de-Qualquer-Coisa, de Cariñena (Aragão, Espanha), vendido em supermercado. Era feito de carvalho, misturado com um pouco da uva-homônima

CARIÑENA (CARIGNAN)

Lembro com imensa clareza dos inebriantes sabores e aromas de madeira, provavelmente tóxica naquela concentração. Na época não sabia do que se tratava, mas era bom. Em retrospecto, pelo baixíssimo preço do vinho e imensa produção, deduz-se que era a nefasta manifestação de pedaços de madeira misturados no suco de uva, e não necessariamente do contato com barris como historicamente acontece. Esse é um dos muitos aspectos do vinho industrial. E foda-se, o vinho era bom. Me agarrarei a essa memória.

Explicação

O autor relembra, com uma mistura de nostalgia e autocrítica, o primeiro vinho que gostou: um rótulo industrial e barato da região de Cariñena, na Espanha. Ele descreve o sabor exagerado de madeira (provavelmente lascas ou essência, e não barrica real) como algo "inebriante" na época, e reconhece hoje como uma característica artificial ("tóxica"). A reflexão gira em torno da memória afetiva, que muitas vezes supera a qualidade técnica do vinho, validando o prazer que ele proporcionou no passado, independentemente de ser considerado "ruim" pelos padrões atuais de um especialista.

Originalmente publicado

  • Data: 13 de junho de 2018