#102 Onze Motivos para Escolher Alsácia
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Legenda
O primeiro post do @bebiodicionario foi sobre a Alsácia, e o bom filho à Alsácia torna.
Transcrição
Onze motivos para escolher um vinho d’ ALSÁCIA
- Provavelmente é bom;
- No rótulo aparece o nome da variedade em letras garrafais. Não tem essa de ficar adivinhando;
- É como beber vinho alemão, mas tá tudo escrito em francês, então não há motivo para se preocupar com Langeundschwierigewörter;
- Vai bem do aperitivo até a sobremesa;
- Poderá ser a própria sobremesa;
- Combina com sua segunda-feira sem carne;
- Combina com sua terça-feira porco nose-to-tail;
- Alguém provavelmente reclamará que é muito doce, mas você apontará que o interlocutor é fanático por pudim de leite e/ou tortinha de banana do McDonald’s, então porque diabos está reclamando da doçura do vinho? E assim você ter-se-á sagrado vencedor do argumento;
- Não tá na moda, portanto está na moda sem estar na moda;
- Será qualquer coisa entre muito seco e muito doce, e na ausência desta informação, você poderá fazer apostas antes de abrir a garrafa. É como pôquer ou turfe;
- Se for ruim, a culpa será sua, não do vinho.
Explicação
Explicação
Uma ode bem-humorada aos vinhos da Alsácia, listando motivos para escolhê-los:
- Qualidade Geral: A média de qualidade da região é realmente alta.
- Rótulos Varietais: Diferente de Bordeaux ou Borgonha (que destacam a região/terroir), a Alsácia destaca a uva (Riesling, Gewurztraminer) no rótulo, facilitando para quem está acostumado com vinhos do Novo Mundo.
- Hibridismo Cultural: A Alsácia alterna entre França e Alemanha historicamente. O vinho tem estilo "alemão" (garrafa flauta, uvas) mas língua francesa, evitando os nomes impronunciáveis alemães ("Langeundschwierigewörter" é uma piada, aglutinando "longas e difíceis palavras").
- Versatilidade: A alta acidez permite acompanhar a refeição toda.
- Vinhos de Sobremesa: Produzem excelentes colheitas tardias (Vendanges Tardives) e Sélection de Grains Nobles.
- Vegetarianismo: A aromática exuberante combina bem com pratos de vegetais que seriam difíceis para tintos tânicos.
- Porco: A harmonização clássica regional é Choucroute Garnie (com muita carne de porco). "Nose-to-tail" é o consumo integral do animal.
- O Argumento do Açúcar: O melhor contra-ataque aos enochatos que reclamam de "vinho doce" mas se entopem de sobremesas industriais. Aponta a hipocrisia do paladar.
- Ciclo da Moda: Por estar "fora de moda" (não é o hype do momento como Jura ou Beaujolais), torna-se a escolha cult alternativa.
- A Loteria da Doçura: A grande crítica real à região. É difícil saber se um Riesling será seco (Trocken) ou doce apenas olhando o rótulo, pois muitos produtores não indicam. Vira uma aposta ("pôquer ou turfe").
- Infalibilidade: O autor é tão fã da região que decreta: se a experiência foi ruim, a culpa é sua, nunca do vinho.